Inter encerra estigma e conquista a Libertadores

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O Internacional, enfim, virou internacional. Diante de um Beira-Rio totalmente lotado, o time gaúcho foi pressionado pelo São Paulo, campeão da Copa Libertadores e do Mundial no ano passado. No entanto, a despeito da falta de experiência, a equipe da casa conseguiu se segurar, empatou por 2 a 2 (Fernandão e Tinga anotaram os gols mandantes e Fabão e Lenílson determinaram a igualdade para a equipe tricolor) e afastou os seus fantasmas. Assim, conquistou o título pela primeira vez em sua história e transformou esta quarta-feira na data mais importante desde sua fundação, no dia 4 de abril de 1909. A redenção do Internacional foi acompanhada por uma vitória pessoal do técnico Abel Braga. Depois de perder duas decisões da Copa do Brasil (uma para o Santo André com o Flamengo e outra para o Paulista com o Fluminense) e uma do Campeonato Gaúcho (para o rival Grêmio), todas como mandante, o comandante se recuperou e conquistou o título. A emoção de Abel Braga, chorando no gramado do Beira-Rio, foi o principal retrato da redenção do Internacional. A equipe gaúcha disputou a segunda decisão da Libertadores em sua história e se recuperou da derrota para o Nacional do Uruguai em 1980. "Estávamos engasgados. Todo torcedor sabe quanto essa conquista era necessária para a nossa história e nós conseguimos colocar o nome do clube no lugar de direito", festejou o atacante Rafael Sobis, torcedor confesso do time de Porto Alegre. Para chegar ao primeiro triunfo continental de sua história, o Internacional teve como arma fundamental o estádio Beira-Rio. O time gaúcho disputou sete partidas como mandante na competição e acumulou cinco vitórias e dois empates. Assim, os gaúchos vêem o apogeu de uma equipe que começou a ser formada em 2002. Naquele ano, depois de quase ter sido rebaixada no Campeonato Brasileiro da temporada anterior (terminou na 21ª colocação de uma competição com 26 clubes e só escapou do descenso na última rodada), os gaúchos iniciaram o trabalho que culminou com a taça desta quarta. O curioso é que o técnico responsável pela equipe colorada no começo da trajetória era justamente Muricy Ramalho, atualmente no São Paulo. O São Paulo, aliás, perdeu a chance de aumentar sua soberania entre os brasileiros na América do Sul. O time paulista havia conquistado a Copa Libertadores no ano passado e alcançou a decisão do torneio pela sexta vez em sua história. A derrota, no entanto, impediu o time tricolor de conquistar o título pela quarta vez. A derrocada do São Paulo neste ano foi representada por uma falha de seu maior ícone. Capitão e maior ídolo do atual elenco, o goleiro Rogério Ceni não segurou um cruzamento aos 29min do primeiro tempo e permitiu o gol marcado por Fernandão, que abriu o placar no Beira-Rio. O desânimo dos jogadores do São Paulo aconteceu simultaneamente a uma intensa festa do Internacional. Enquanto os jogadores colorados comemoravam no gramado do Beira-Rio, a torcida permaneceu nas arquibancadas para enaltecer a maior conquista da história do clube gaúcho, que vai disputar o Mundial de clubes da Fifa no fim desta temporada. Marcius Azevedo Enviado especial do Pelé.Net