Novo mosquito pode causar Febre Amarela

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Estudo publicado na revista do Sistema Único de Saúde (SUS) aponta mais um fator de risco para a reurbanização da febre amarela. O trabalho, financiado pelo Ministério da Saúde (MS), alerta para a presença do mosquito Aedes albopictus, vetor potencial da dengue e da febre amarela, em áreas de circulação do vírus da doença. Isso porque o mosquito consegue viver em áreas de mata e de cidades e poderia ser a ponte do vírus silvestre para áreas urbanas. Apesar disso, especialistas afirmam que ainda não foi confirmada no Brasil a responsabilidade do Aedes albopictus na transmissão de qualquer tipo de doença.

Mestre e doutor em entomologia, o biólogo Ionizete Garcia da Silva explica que o Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública está presente em quase todos os municípios brasileiros e que, embora não se tenha comprovado sua capacidade vetorial, sua presença é preocupante, justamente por sua valência ecológica, ou seja, sua capacidade de viver em diferentes ambientes. “Esse é o diferencial do mosquito em relação ao Aedes aegypti, que se limita a área urbana”, diz o especialista, que também faz parte do Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública (Iptsp).

O biólogo Welington Tristão da Rocha diz que o Aedes albopictus tem capacidade vetorial (transmissão de doenças) competente, ainda não foi responsabilizado pela transmissão de nenhum tipo de doença no País. Apesar disso, o especialista salienta que, por este mosquito ser um bom vetor na Ásia e por sua presença no Brasil, se faz necessária a vigilância. Ele ressalta que o programa de controle da dengue, realizado pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), também faz controle de focos do Aedes albopictus.

No trabalho, foram achados os mosquitos em três municípios do Rio Grande do Sul e Minas Gerais, onde há circulação do vírus. Segundo os autores, “a infestação da espécie cresce na direção de focos silvestres do vírus”, evolução que pode estar ocorrendo em Minas e Goiás.

Em Goiânia, segundo explica Rocha, o índice de infestação do Aedes albopictus é muito baixo, fica em torno de 0,2%, em um universo de 25 mil imóveis trabalhados. Durante o trabalho de técnicos do MS na Capital, realizado no último mês de janeiro, também foram coletados Aedes albopictus para pesquisa.

MAIS UMA PESSOA MORRE CONTAMINADA

Mais dois casos de infecção por febre amarela no Distrito Federal foram confirmados nesta sexta-feira. Segundo boletim informativo da Secretaria de Saúde do DF (SES), um dos pacientes não resistiu à doença e morreu. O nome da vítima não foi divulgado pela SES, que informou apenas as iniciais do nome do homem, J.A.R., que tinha 35 anos. O local provável de contaminação é a área rural do Paranoá. J.A.R. chegou a ser internado no Hospital Regional do Gama (HRG), onde morreu.

O outro caso confirmado foi o de um homem de 26 anos, que teria tido contato com o mosquito transmissor durante viagem ao município goiano de Padre Bernardo. M.P.S., como foi identificado pela SES, já está curado. Após as duas novas confirmações, o balanço da doença no DF em 2008 contabiliza 17 casos notificados, sendo 13 confirmados e quatro descartados. Sete pessoas morreram. Os prováveis locais de infecção foram as áreas rurais de Goiás e do DF. (Da Redação)

SAÚDE PEDE NOTIFICAÇÃO DE CASOS DE DENGUE

Segundo a gerente de Vigilância Epidemiológica da Secretaria da Saúde, Magna Maria de Carvalho, é preciso que a população entenda que a notificação de casos de dengue não é apenas um instrumento burocrático. “A partir do momento em que o poder público tem conhecimento dos casos – afirma –, ele desencadeia e providencia uma série de medidas preventivas para controle da dengue”. Seria o caso da borrifação, “de extrema importância” porque mata o mosquito adulto e interfere na cadeia de transmissão da doença, bem como bloqueia a região que foi notificada. Além disso, estudos podem ser realizados futuramente pelo governo em parceria com as instituições de ensino na área de pesquisa e avaliação epidemiológica, acrescenta.

A Secretaria da Saúde avalia que, com o ciclo da febre amarela, a população passou a dispensar atenção à vacina – em Goiás houve revacinação em massa e quase 1 milhão de pessoas recebeu a vacina pela segunda vez. Com isso, ficaram em segundo plano pequenos cuidados para evitar a dengue, em meio a condições climáticas propícias, nesta época do ano, à proliferação do Aedes aegypti, vetor que transmite a doença e pode reintroduzir o vírus amarílico na zona urbana.

Entre as medidas que devem ser adotadas pela população no combate ao mosquito da dengue é recomendado escovar, pelo menos três vezes por semana os trilhos de box, tampar e jogar cloro puro em vaso sanitário em tampa ou sem uso, tampar ou esvaziar copos ou recipientes com água, eliminar vasos com água e colocar areia nos pratos das plantas, desentupir e escovar com água e sabão calhas entupidas, jogar cloro puro, sal ou creolina três vezes por semana em ralos abertos e tampá-los, limpar a cada seis meses e tampar caixa d’água e tambor sem tampa, escovar todos os dias e trocar a água de vasilhas de água para os animais, deixar virados para baixo garrafas, frascos, latas e potes vazios, tampar ou colocar tela de proteção em aquários sem tampa, guardar pneus, limpos e secos, em lugar coberto, manter barco ou caiaque com a abertura para baixo, não jogar água nas folhas de bromélias e furar as folhas que acumulam água.

 
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